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Mudanças ampliam base para a distribuição de dividendos
Por Guilherme Meirelles | Para o Valor, de São Paulo
O resultado do trabalho, coordenado pela professora Edilene Santana Santos, segue tendência apontada em estudo anterior, divulgado em fevereiro de 2011, com 20 empresas. A primeira pesquisa, que inclui AmBev, Gol, Gerdau, TAM, Natura, Cyrela, Net, Souza Cruz e Lojas Renner, entre outras, apontou aumento do lucro de 33%, em 2009, e 20%, em 2008. O efeito médio no patrimônio líquido foi de 4% para o ano de 2007 e de 16% em 2008. A expectativa é de que essa ordem de grandeza seja mantida no estudo com universo mais amplo. Os números finais devem ser divulgados na primeira quinzena de fevereiro.
Um outro estudo, feito pela Ernst & Young Terco em conjunto com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), divulgado em julho de 2011, analisando 56 companhias abertas, mostrou um impacto de R$ 33 bilhões no patrimônio líquido (PL) das empresas pesquisadas e em aumento de R$ 9,4 bilhões no resultado.
Dentre os fatores de ajuste que mais afetaram o resultado das companhias em 2010 o mais marcante é o que se refere à combinação de negócios - normatizadas pelas CPCs 01, 04 e 15 - nos momentos em que são abordadas em operações de fusões e/ou aquisições, que eram ocasionais no passado, mas andam em alta nos últimos anos. “Passou a haver uma nova forma de registrar os ágios e deságios e isso impactou de maneira forte nos resultados”, diz Edilene.
Até 2007, segundo ela, o ágio decorrente de uma transação era diluído nos balanços subsequentes ao fechamento da transação, principalmente com relação aos ativos intangíveis, como o valor da marca. Pelas normas IFRS, foram instituídos critérios com base em fair value (valor justo) e exigência de avaliações regulares desses ativos intangíveis, o que, na prática joga uma responsabilidade maior para uma companhia que adquire uma concorrente. “O comprador não vai se descuidar do seu ativo intangível, que será tratado dentro do exercício como uma despesa, não podendo mais ser jogado para o ano seguinte”, explica.
Também teve impacto significativo a norma que estabelece a adoção de valor justo para bens patrimoniais, principalmente imóveis, sejam para uso próprio, como para investimento. Pelo modelo tradicional da contabilidade brasileira, os bens eram simplesmente jogados pelo seu valor histórico, sem haver a preocupação de se fazer uma atualização pelos valores de mercado.
Com o “boom” imobiliário dos últimos anos, houve uma revisão dos preços e, de acordo com as novas normas, passaram a ser atualizados por valores superiores aos até então registrados. “Essa conversão resultou em um aumento do patrimônio líquido. Mas, nesse caso, não há exigência legal, algumas companhias ainda optaram pelo valor histórico”, diz.
Para a professora da FGV-EAESP, a consolidação dos efeitos positivos dentro da metodologia IFRS deverá proporcionar vantagens competitivas para as companhias brasileiras, que estarão mais expostas de forma transparente aos investidores internacionais. Ela ressalta ainda que outros Brics, como Índia e China, ainda não adotaram as normas, enquanto o Brasil já está apresentando sugestões de aperfeiçoamento das normas para os “boards” internacionais.
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